CABELO
DANADO – CASQUINHA
De: Otto Enrique Trepte
1975
Nega, vou te fazer um apelo
Quer ser dona do meu lar
Cuide mais do teu cabelo
Neguinha, meu bem.
Nega, vou te fazer um apelo
Quer ser dona do meu lar
Cuide mais do seu cabelo
Tive um trabalho danado
Fui a uma feira em Caxias
Comprei um pente de ferro pra
nega,
Fiquei radiante de alegria
Ao ver o pente, ela disse:
“perdeste tempo, meu bem; meu
cabelo é tão enrolado, que parece com a mola do trem”.
Nega meu bem.
Nega, vou te fazer um apelo
Quer ser dona do meu lar
Cuide mais do teu cabelo
Ah, neguinha, meu bem.
Nega, vou te fazer um apelo
Quer ser dona do meu lar
Cuide mais do teu cabelo
Nega do cabelo duro
Do cabelo pixaim
Tenho visto cabelo danado
Mas também não é assim
Se quiser ser dona do meu lar
E não ser tratada de lelé da cuca
Ou penteia com pente de ferro
Ou então tem que andar de peruca
Nega meu bem
Nega, vou te fazer um apelo
Quer ser dona do meu lar
Cuide mais do seu cabelo
Nega, vou te fazer um apelo
Quer ser dona do meu lar
Cuide mais do teu cabelo
A nega ficou enfezada e me disse:
“eu não sou de trapalhada; nem
quero ser comparada com a tal preta aloirada. Peruca tu sabes, meu bem, que é
artificial; prefiro usar meu cabelo, sem tempero, bem ao natural”.
Nega meu bem
Nega, vou te fazer um apelo
Quer ser dona do meu lar
Cuide mais do seu cabelo
Ah, neguinha, meu bem.
Nega, vou te fazer um apelo
Quer ser dona do meu lar
Cuide mais do teu cabelo
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